quando dois monstros sagrados da literatura mundial se encontram

onomatopeias, onomatopeias, onomatopeias.

narrador: não, nada disso.

eu: ah, desculpe.

dois dos caras que mais gosto e admiro com ou sem entropia são, em ordem analfábetica, umberto eco e josé saramago.

corta para entrevista de mim:

tenho uma noia de se gostar das primeiras frases de um livro, compro, nem que eu saiba do que se trata. como meus professores de direção ensinaram à sala, a primeira cena de um filme deve ser muito boa. a primeira impressão faz o espectador embarcar ou não na história.

volta para a onisciência do narrador:

o início de misteriosa chama da rainha loana é assim:

“E o senhor, como se chama?”

“Espere, está na ponta da língua”

“Era como se acordasse de um longo sonho, e no entanto ainda estava suspenso em um cinza leitoso. Ou quem sabe não estava acordado, mas sonhando” … “onde a névoa flutua entre as torres como o incenso que sonha?

corta para o livro inédito recém lançado de saramago, claraboia:

“Por entre os véus oscilantes que lhe povoavam o sono, Silvestre começou a ouvir rumores de loiça mexida e quase juraria que transluziam claridades pelas malhas largas dos véus. Ia aborrecer-se, mas percebeu, de repente, que estava acordando. Piscou os olhos repetidas vezes, bocejou e ficou imóvel, enquanto sentia o sono afastar-se devagar.”

onomatopeias, onomatopeias, onomatopeias.

calenza

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