netuno

é na rua do cemitério que eu, dirigindo, estou caminhando na copa da minha infância. no bloco parede vermelho vazado um morcego. dois carros depois, um menino sem rosto e sem nome com um rato pelo rabo. a vila inteira em comoção na doutor arnaldo. quase bato o carro e estou botando fogo numa casa na esquina da minha inocência. eu, flávio e meu irmão. temos 7, 9, 10 anos. é a primeira vez que vejo um carro de bombeiros na vida.  a avenida paulista do final de tarde e o sol baixo do inverno me parecem um filme em super oito. com 8 anos estou tirando pregos e parafusos de outra vida de toras com um pé de cabra azul com meu pai. é a primeira vez que ouço a expressão “não é bolinho não”. o galinheiro iria ser construído em semanas. aperto o andar do meu apartamento. minha mãe fez bolo formigueiro. desviei meu septo numa mosca de metal. 15 anos depois, meu apelido é mosca. fiz um barquinho de alumínio e o deixei navegar no rio que se forma entre um bloco de concreto e outro no piso do quintal. deito na cama com minha mulher. bebo água e vou dormir. hojeontemamanhã. se dormimos de mãos dadas é porque o mar é profundo.

calenza

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